quarta-feira, outubro 28, 2009

Enquanto isso...

A abelha, deitada com as patinhas pra cima, agonizava. Não conseguia se virar, mexia-se com sua forcinha leve ao máximo e nem saía do lugar. Eu tive pena, e nojo, de mata-lá com uma bela chinelada para finalizar o sofrimento. Preferi observar por um tempo a incapacidade do pequeno inseto, suas asas debilmente em contato com o mármore frio. Sentiria ela frio? Ou medo? Não me lembro da parte da aula em que a professora descreveu o sistema nervoso das abelhas.
Decidi ignorar, mais tarde escrever sobre isso.
Quando arranjei papel, caneta e inspiração, encontrei a abelha perfeitamente morta, com as asas para cima. Parecia querer voar.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Coisa, coisinha

A quem possa interessar: Eu sempre vi características humanas em objetos.
Como se suas formas ditadas por nós fossem perfeitamente vivas, pudessem ter sentimentos, falar, andar, nos observar em sua aparente quietude. Eu enxergo claramente a dor que suas quedas ao chão trazem, o quão cegos ficam quando o sol está em suas vistas, que o frio os aproxima para que compartilhem calor.
Quem sabe eles até me entendam, já está cheio de pessoas que não me entendem esse mundo.
Os instintos mais básicos são facilmente encontrados. Após algum tempo, a própria personalidade também pode ser descrita, baseada no modo de interação com o ambiente ao redor.
A quem possa interessar: Quem sabe eu mesma também não seja um objeto?

terça-feira, outubro 13, 2009

Boa experiência!

Formiga, por que você tinha que passear por aqui? De doce, eu não tenho nada, e você devia bem saber.
Se carcomido já está o meu coração, e divididas as minhas ideias, o que você pensa que vai encontrar?
Pare de correr atrás do que não existe mais, o que é que eu tenho a te oferecer? Não arranjo nem coragem pra te libertar deste calabouço no fundo do copo de vidro.
Vá procurar o seu formigueiro em outro canto, o que restou de mim já foi bem remexido, obrigada.
Não adianta adivinhar os meus motivos, eu já os contei tanto que eles se acostumaram a me perseguir por aí: quem não os decifrar, nunca me entenderá.
Ou fique aqui de uma vez, a solidão já chega pra nos acompanhar e a arrogância já está aqui, não viu no brilho dos meus olhos?